A polícia francesa desmantelou uma rede de tráfico de armas de fogo que fornecia pistolas falsificadas aos subúrbios a oeste de Paris, apreendendo dezenas de pistolas ilegais, dinheiro e dispositivos de conversão numa operação coordenada realizada no departamento de Yvelines na manhã de terça-feira, 15 de setembro de 2026.
A operação, liderada pela Brigade de Répression du Banditisme (BRB) de Versalhes, em colaboração com o Office Central de Lutte contre le Crime Organisé (OCLCO), teve como alvo uma célula de tráfico sediada na zona de Mantes-la-Jolie e na cidade vizinha de Limay, a cerca de 50 quilómetros a noroeste do centro de Paris. Esta operação surgiu na sequência de uma investigação em curso desde novembro de 2025, baseada em meses de vigilância e recolha de informações sobre a origem e a cadeia de distribuição das armas de fogo falsificadas que circulavam na região.
Sete homens foram detidos na operação, todos cidadãos turcos com idades compreendidas entre os 25 e os 35 anos. Os investigadores identificaram Siyar Y., de 33 anos, residente em Mantes-la-Jolie, como a figura central da operação de distribuição local. As buscas em imóveis ligados aos suspeitos revelaram um arsenal considerável: 47 pistolas de 9 milímetros, descritas pelos investigadores como armas falsificadas do modelo Glock, encontradas novas e ainda na embalagem original. Para além das pistolas, a polícia recuperou oito carregadores de capacidade alargada com 30 cartuchos e sete dos chamados «switches» — pequenos dispositivos pós-venda que convertem uma pistola semiautomática numa arma capaz de disparar de forma totalmente automática e em rajada. Os investigadores apreenderam também cerca de 120 000 euros em dinheiro em locais ligados à rede.
De acordo com a estrutura de preços reconstruída pelos investigadores a partir da atividade de vendas da rede, uma pistola falsificada básica era vendida por um valor entre 2 500 e 3 000 euros, podendo os compradores pagar um acréscimo de 500 euros para que fosse instalado um interruptor que permitisse o disparo automático, bem como uma sobretaxa adicional por um carregador de alta capacidade. As próprias armas teriam sido fabricadas na Turquia antes de serem contrabandeadas através da Alemanha e, posteriormente, para o departamento de Yvelines, onde eram distribuídas a compradores na região ocidental de Paris — parte de uma rota de abastecimento que, segundo os investigadores, tem alimentado uma circulação mais ampla de armas de fogo ilegais ligadas a disputas relacionadas com o tráfico de droga e a atos de violência motivados por acertos de contas em várias cidades francesas nos últimos anos.
Os investigadores associaram a rede de Mantes-la-Jolie aos Daltonlar, um grupo do crime organizado turco com presença consolidada em França, Alemanha, Itália e Espanha, cujas atividades abrangem o tráfico de droga, o contrabando de armas, o contrabando de cigarros e a extorsão. Esta ligação insere a apreensão em Yvelines num padrão mais alargado de tráfico de armas de fogo organizado por turcos, que os investigadores franceses têm vindo a acompanhar em várias regiões este ano, incluindo uma operação separada e de maior envergadura que teve como alvo a filial dessa mesma rede sediada em Marselha, no início de setembro.
Após a sua detenção, os sete suspeitos ficaram sob custódia policial antes de serem apresentados aos juízes. Seis foram colocados em prisão preventiva e um foi libertado sob supervisão judicial. Todos os sete foram formalmente acusados na sexta-feira, 19-20 de setembro de 2026, em Versalhes, pelos crimes de tráfico de armas e associação ilícita (association de malfaiteurs), sendo que esta última acusação reflete a estrutura organizada e composta por várias pessoas que, segundo os investigadores, esteve na base da operação, em vez de a tratar como uma série de vendas individuais isoladas.
Esta apreensão vem somar-se a uma lista crescente de casos de armas de fogo falsificadas e modificadas ilegalmente descobertos pela polícia francesa em 2026, num momento em que as autoridades alertam para a crescente disponibilidade de pistolas falsificadas baratas e produzidas em massa — muitas vezes visualmente indistinguíveis das armas genuínas de marca — que entram no mercado negro nacional através de rotas de contrabando com origem na Turquia e que transitam pela Europa Central. A instalação de interruptores de conversão para disparo automático, em particular, tornou-se uma preocupação crescente para a polícia e os procuradores, uma vez que permite aos compradores transformar uma pistola semiautomática padrão numa arma capaz de disparar em rajada de forma significativamente mais letal, através de uma peça de reposição barata e facilmente ocultável.
A BRB e a OCLCO não revelaram as identidades dos compradores que adquiriram armas à rede de Mantes-la-Jolie, e a investigação sobre a cadeia de distribuição mais ampla — incluindo os fornecedores da rede na Turquia e os contactos de trânsito na Alemanha — parece estar a prosseguir. Os juízes de instrução franceses em Versalhes irão agora supervisionar a fase judicial do caso, enquanto os seis suspeitos detidos aguardam julgamento; entretanto, a questão mais ampla de como as armas falsificadas entraram em França e quem mais poderá ter lucrado ao longo da cadeia de abastecimento continua a ser alvo de investigação.
Este caso ilustra a dimensão dos recursos que as unidades de combate ao crime organizado da França estão atualmente a dedicar ao tráfico de armas de fogo, uma área que tem suscitado uma atenção crescente por parte dos responsáveis políticos e das forças de ordem, a par da luta paralela e de maior visibilidade do país contra as redes de tráfico de estupefacientes, dada a frequente sobreposição entre os grupos armados que abastecem os mercados de droga e as redes que fornecem as armas utilizadas para os defender ou combater.